CARNÍVOROS – Características – Ecologia e comportamento – Grupos de carnívoros – Biologia, ZOOLOGIA, Trabalho Escolar.

CARNÍVOROS

O avanço dos carnívoros na escala evolutiva e sua difusão pelo planeta fazem desses animais um dos grupos taxionômicos mais profundamente estudados no universo da zoologia.
Em geral, o termo carnívoro se aplica a qualquer animal que se alimenta de carne. Em sentido um tanto diferente, são também designadas como carnívoras (ou insetívoras) as plantas capazes de digerir albumina, insetos, pequenos aracnídeos e, em geral, materiais protéicos. Todavia, a denominação específica define um grande grupo de mamíferos predadores que possuem em comum um conjunto de características anatômicas.

Características gerais. Os carnívoros constituem uma ampla ordem dentro da classe dos mamíferos e incluem animais de morfologia tão diversa como o urso e a marta, ou como a foca e o leopardo. O tamanho, a forma e as adaptações dos diferentes componentes desse grupo variam de família para família. Até a dieta, apesar de basicamente carnívora, se distingue acentuadamente segundo os gêneros e espécies. Os ursos, por exemplo, na prática são onívoros, e comem qualquer coisa, inclusive mel e frutos. Contudo, apesar dessas diferenças, todos têm em comum uma série de características que estabelecem um parentesco.
O tipo de dentição revela com clareza os hábitos alimentares dos carnívoros: em cada mandíbula dispõem de seis incisivos (dentes dianteiros aos quais cabe cortar o alimento) de pequenas dimensões e dois grandes caninos (também chamados presas), além de vários molares, dotados de cúspides (pontas) cortantes. Dois desses molares, chamados “dentes carniceiros”, são maiores que os outros. Essa dentadura constitui instrumento eficaz para dilacerar a carne das vítimas e também, em determinadas ocasiões, poderosa arma para matá-las.
Os carnívoros apresentam fortes e afiadas garras, que em certas famílias, como a dos felídeos, são retráteis (o animal pode escondê-las pela ação de tendões situados nos dedos), e em outras, como a dos canídeos, são fixas. Têm um mínimo de quatro dedos em cada pata e a maioria se apóia neles ao andar, pelo que se diz que são digitígrados. Alguns, como os ursos, apóiam toda a planta e recebem o nome de plantígrados.
Muitos carnívoros, como os ursos ou os leões, são fortes e corpulentos, mas também existem os de tamanho mediano (lobos) e os de pequeno porte (doninhas). Em todos eles, a audição e o olfato são em geral bem desenvolvidos. A maioria está adaptada à vida terrestre, mas um pequeno grupo, que inclui as focas e as morsas, em épocas remotas conquistou o meio aquático e, ao longo da evolução, seus dedos se fundiram para formar nadadeiras. Isso faz com que, em algumas classificações, os carnívoros não sejam considerados como uma ordem propriamente dita, mas sim como dois grupos nitidamente diferenciados: o dos fissípedes, integrado por todas as famílias terrestres, e o dos pinípedes, de ambiente marinho. A classificação mais generalizada atribui a esses níveis sistemáticos a categoria de subordem.

Grupos de carnívoros. Entre os carnívoros aquáticos (pinípedes), contam-se três famílias: a dos focídeos, ou focas verdadeiras, que são os mais adaptados ao meio marinho e se deslocam em terra por movimentos ondulantes; a dos otarídeos, ou leões-marinhos, que possuem pavilhões auditivos e se movem no meio terrestre apoiando as patas com facilidade; e a dos odobenídeos, ou morsas, caracterizados por suas duas presas, proeminentes, e que carecem de pavilhões auditivos, como as focas, mas que podem protrair (fazer ir à frente) as extremidades posteriores e andar em terra como os otarídeos.
Os fissípedes, carnívoros de dedos separados, agrupam-se em várias famílias e incluem grande número de espécies, entre as quais o urso, o panda, o quati, o lobo, o cão, a raposa, o chacal, o texugo, a doninha, o arminho, o tigre, o leão, o jaguar, o puma, o gato, o mangusto e a hiena.
A família dos ursídeos, integrada pelos ursos, compreende animais corpulentos, pesados e fortes, mas ágeis, de dieta variada, andar plantígrado e dotados de grande astúcia e valentia, o que faz deles temíveis inimigos quando atacam. Entre os mais conhecidos estão o urso polar, o urso negro americano, o urso pardo e o urso malaio.
Na família dos procionídeos, de que fazem parte o panda, o olingo sul-americano e o quati, observam-se muitos traços semelhantes aos dos ursos, com os quais são indubitavelmente aparentados. Contudo, algumas espécies apresentam, como sinal diferenciador, caudas desenvolvidas, que, em certos casos, são preênseis (servem para que se agarrem aos galhos).
A família dos canídeos inclui o cão, o lobo, a raposa e o chacal, entre as espécies mais notáveis. São de tamanho médio ou relativamente pequeno e de porte esbelto, com o focinho alongado e orelhas pontiagudas. Nas patas posteriores têm quatro dedos, terminados em unhas não retráteis.
O texugo, a marta, a doninha, o arminho, o visom, o furão e a lontra compõem a família dos mustelídeos, animais de corpo alongado, pequenos e muito ágeis, de grande voracidade. O mangusto e a doninha se agrupam na família dos viverrídeos, também de porte reduzido,  patas curtas e formas esguias. Os hienídeos, cuja família congrega a hiena e o aardvark, são os carnívoros de mandíbulas mais potentes em relação a seu peso. Durante muito tempo, pensou-se que se alimentavam exclusivamente de carniça, mas em época recente constatou-se que também são hábeis caçadores.
A família dos felídeos compreende alguns dos mamíferos predadores mais ágeis e mais bem equipados que se conhecem, alguns de grande tamanho, como o tigre, o leão, a onça ou jaguar, o leopardo, o guepardo, o puma, a suçuarana ou onça-parda, e outros de menor talhe, como a jaguatirica, o lince, o serval, os vários gatos-do-mato e o gato doméstico. Também recebem a denominação geral de felinos e são animais de grande beleza, astúcia e resistência. Os de maior tamanho têm músculos poderosos e garras afiadas, com as quais despedaçam as vítimas. Nas patas anteriores apresentam cinco dedos e nas posteriores quatro, todos dotados de unhas retráteis.

Ecologia e comportamento. Na fisiologia dos carnívoros, animais eminentemente caçadores, tudo está a serviço de seus hábitos predadores, desde a estrutura e anatomia do corpo até seu comportamento. O papel ecológico desses animais é de grande importância, pois exercem rigoroso controle sobre as populações de herbívoros, que de outra forma aumentariam exageradamente e esgotariam a vegetação de várias regiões do planeta. Além disso, os carnívoros são fundamentais para a seleção das espécies que atacam, já que eliminam de preferência indivíduos débeis, doentes ou envelhecidos, que caem sob suas garras com maior facilidade.
Desde épocas remotas, os carnívoros foram competidores e, em alguns casos, inimigos temíveis do homem, que caçou e perseguiu certas espécies em todas as épocas, por necessidade ou por mero esporte. Com isso reduziu-se o número de indivíduos e muitas espécies chegaram à beira da extinção, como acontece com o lobo e o urso na Europa e, no norte da África e na Ásia, com o leão.
Alguns carnívoros, como os grandes felinos, se especializaram na captura de herbívoros de grande tamanho, enquanto os viverrídeos são predadores de animais pequenos, tais como roedores, répteis e insetos. Muitos canídeos, como o lobo ou o cão caçador africano, e felídeos, como o leão, têm hábitos sociais e caçam em manada. Existem os que são grandes corredores, ou por sua resistência, como o cão caçador africano, que persegue implacavelmente a  presa até o esgotamento, ou pela velocidade, caso do guepardo, o mais veloz dos animais terrestres, que em corrida alcança velocidades de até 110km/h. Os carnívoros se distribuem por todo o mundo e se adaptam aos mais variados habitats.

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