OVINO – História – Raças – Criação e aproveitamento – Doenças – Biologia, ZOOLOGIA, Trabalho Escolar.

 OVINO

Símbolo da atividade pastoril, durante séculos uma das principais ocupações do homem, o rebanho ovino foi também uma fonte essencial de riqueza para diversos povos e culturas. Ainda hoje, é um elemento básico da economia de muitas nações, por sua utilidade para as indústrias têxtil e alimentícia.
Ovino é o mamífero pertencente a uma subfamília da família dos bovídeos, ordem dos artiodáctilos. Seu único gênero — Ovis — inclui grande número de espécies selvagens e apenas uma domesticada, o carneiro (Ovis aries), à qual pertencem as mais de 300 raças espalhadas por todo o mundo. No hemisfério norte e na África ainda há ovinos selvagens, de tipos variadíssimos.
Esses animais diferem fundamentalmente dos caprinos por apresentarem glândula interdigital, glândulas suborbitais e cornos espiralados de seção transversal triangular e superfície ondulada (os dos caprinos, em geral, são lisos e de seção ovalar). Os ovinos não exalam o cheiro forte dos caprinos, nem apresentam cavanhaques ou barbas. Sua glândula interdigital produz um líquido untuoso e escuro, de odor característico, que tinge as pedras por onde o animal passa e denuncia sua presença a outras espécies.

História. A existência dos ovinos foi comprovada em depósitos fósseis de até um milhão de anos. Esses animais foram dos primeiros a serem domesticados (cerca de 5000 a.C., provavelmente na Ásia) e deles se aproveitavam a carne, o leite e a pele. O deus grego Apolo é representado apascentando rebanhos, e em muitas passagens da Bíblia os cordeiros são mencionados. Descobertas arqueológicas evidenciam que já se criavam ovinos na Mesopotâmia e no Egito, por volta de 3000 a.C. A civilização babilônica se distinguia pela excelente lã extraída de seus rebanhos. Mileto e Sardes, na Grécia, eram importantes centros de comercialização de lã. Acredita-se que os fenícios levaram ovinos de lã fina para as regiões costeiras do Mediterrâneo. Etruscos e babilônios escrutavam fígados de carneiro para adivinhar o futuro, e os romanos e os povos do norte da África dedicaram especial atenção a esses animais.
No planalto de Pamir, a quase 5.000m de altitude, existe uma espécie selvagem de longos chifres espiralados, descrita no século XIII por Marco Polo e por isso denominada Ovis poli. O argali (Ovis ammon) é outra espécie da Ásia central. Muitas outras espécies ovinas — O. sairensis, O. borealis, O. nivicola e O. vignei — acham-se espalhadas pela Sibéria, Mongólia e pelo deserto de Gobi.
As raças domésticas descendem, provavelmente, do argali (O. ammon), do urial (O. vignei) e do muflão (O. musimon), outra espécie selvagem ainda encontrada na Córsega e Sardenha. Nativo da América do Norte, o O. canadensis, de chifres lisos e grandes cornos, assemelha-se a algumas espécies asiáticas. No continente americano há ainda os ovinos das montanhas do México, da Califórnia e de outras regiões.

Raças. A dominação da península ibérica pelos árabes, até meados do século XV, proporcionou extraordinário desenvolvimento à criação de ovinos de lã fina. Daí se originou a raça merino. Com a expulsão dos mouros da Espanha, o rei, a nobreza e o clero apoderaram-se dos rebanhos, transformaram a criação desses animais em monopólio e proibiram a saída do país de espécimes da raça merino. Só em 1760 o rei da Espanha presenteou seu primo, o eleitor da Saxônia, com um pequeno rebanho de merinos (precursores da variedade merino eleitoral). A variedade negretti resultou da introdução do merino na Áustria e Hungria, em 1771. Com a fundação da bergerie de Rambouillet por Luís XVI, a França intensificou a difusão da raça hoje conhecida como merino rambouillet, obtida a partir de rigorosa seleção do rebanho inicial, para alcançar maior rendimento na produção de carne e leite.
Todos os países procuraram introduzir o merino em seus rebanhos de ovinos para melhorar as raças locais. Na América do Norte, a difusão e seleção do merino formou as variedades rambouillet, delaine e vermont. A Austrália o introduziu em 1794 e, no final do século XX, estava entre os maiores produtores mundiais, juntamente com Nova Zelândia, China, Índia, Estados Unidos, África do Sul, Argentina e Turquia. As raças polwarth, da Austrália, e corriedale, da Nova Zelândia, originaram-se de cruzamentos de merinos com a raça lincoln.
Foi provavelmente Tomé de Sousa quem trouxe os ovinos (bordaleiros, merinos e asiáticos) para o Brasil. No Rio Grande do Sul logo proliferaram os novos rebanhos, que contavam com 17.000 cabeças em 1797. No fim do século XX, o estado era o maior criador brasileiro. As raças mais difundidas eram polwarth (ideal), corriedale e romney marsh. No Nordeste criam-se ovinos “deslanados” ou “de morada nova” (desprovidos de lã), cujas peles são muito apreciadas pela fina textura.
As raças produtoras de lã se agrupam segundo as características das fibras do velo: (1) lã fina, espessura média de 18 a 22 micrometros (µ), cujo melhor representante é a raça merino; (2) lã prima, espessura entre 23 e 25µ, encontrada nas raças polwarth, merilin e targhee; (3) lã cruza fina, entre 27 e 32µ, das raças corriedale, romeldale, colúmbia, ryeland, dorset-horn e muitas outras; (4) lã cruza média, entre 32 e 34µ, representada pelas raças romney marsh, leicester, cotswold e lincoln; e (5) lã cruza grossa, entre 36 e 40µ, característica da raça crioula e das inglesas highland, blackfaced e herdiwick. No Sul do Brasil, a tosquia se faz entre outubro e dezembro. O animal pode ser tosquiado à mão, com tesoura, ou mecanicamente, com tosquiadeira elétrica.
Na produção de carne, destacam-se as raças inglesas southdown, shropshire, hampshire, oxfordshire e suffolk, e também a merino precoce, de origem francesa. Alguns países da Europa criam ovinos produtores de leite, das raças wilstermach, east-frisia, bergamácia e lacaune. Esses animais fornecem entre 500 a 700g diárias de leite para o fabrico dos queijos roquefort, na França, e pecorino, na Itália. Para o aproveitamento da pele, a raça karakul é a mais valiosa: de seus cordeiros recém-nascidos extrai-se o famoso astracã.

Criação e aproveitamento. Há ovinos em quase todos os países do mundo. Sua criação, porém, só atinge expressão econômica nas regiões pastoris localizadas entre os paralelos de 25o e 45o, em ambos os hemisférios. Nas criações extensivas, a lã é sempre o produto principal. Para o aproveitamento da carne, do leite ou da pele os ovinos são criados em pequenos rebanhos, em regime intensivo.
As ovelhas atingem a idade de reprodução entre 12 e 18 meses. Há raças que se reproduzem em qualquer época do ano (poliestria anual) e outras que revelam atividade sexual em determinados períodos (poliestria estacional), como a merino. No sul do Brasil, as raças merino e polwarth entram em atividade sexual no verão, e a romney marsh, em março. Um ovino pesa, em média, de 7 a 15kg, até os seis meses, e de quarenta a oitenta quilos, quando adulto. A produção média de lã, nos rebanhos comuns, fica entre um e cinco quilos, mas pode passar dos dez quilos em machos altamente selecionados. A pele pesa de um a três quilos, sem a lã.

Doenças. A grande maioria das doenças que atacam os ovinos pode ser evitada com a vacinação. O carbúnculo hemático é causado pelo Bacillus anthracis e provoca apoplexia cerebral e hemorragia pelas aberturas naturais. Evolui muito depressa e raramente permite tratamento. O meio mais comum de infecção é por via oral. Os cadáveres dos animais infectados devem ser queimados, pois transmitem a doença. Os campos onde eles permaneciam continuam como área de risco por muitos anos.
O carbúnculo sintomático ou manqueira é provocado pela bactéria Clostridium chauvei. Caracteriza-se por tumefações nos quartos posteriores e outras regiões do corpo. A necrobacilose é causada pelo bacilo da necrose (Sphaerophorus necrophorus) e provoca ulcerações labiais, podridão do pé, vulvite e lesões crônicas nas orelhas. No Brasil, a podridão do pé também é chamada pietin, foot rot, mal de vaso e manqueira. A oftalmia contagiosa, ou “doença da lágrima”, atribuída por alguns autores a um microrganismo do gênero Moraxella, propaga-se com rapidez e provoca opacidade da córnea. O ectima contagioso, ou boqueira, é causado por um vírus e manifesta-se por pequenas vesículas e pústulas nas tetas, lábios e gengiva. A brucelose, causada por bactérias do gênero Brucella, atinge não só os ovinos mas também os bovinos, o homem, os cavalos e os cães. Os animais doentes devem ser sacrificados. A febre aftosa, doença virótica, começa com febre e prossegue com erupção de vesículas na cavidade bucal, tetas e na fenda dos cascos.
A sarna psorótica é causada por um ácaro (Psoroptes ovis) que perfura a pele do carneiro e provoca inflamação e formação de crostas. A corióptica, pouco contagiosa, é menos freqüente. O tratamento é feito com banhos, dias após a tosquia, em água com sarnicidas diluídos (gamexano, toxafeno, canfeno clorado). As miíases, ou bicheiras, são produzidas pelas larvas de moscas (Callitroga americana) e se instalam em qualquer ferida (da castração, da tosquia ou amputação da cauda).
O maior inimigo do rebanho ovino é, porém, a verminose, que causa mais prejuízos do que todas as outras doenças juntas. Os tricostrongilídeos provocam gastroenterite crônica, caracterizada por diarréia, perda de apetite, anemia, emagrecimento e morte. O helminto Dictyocaulus filaria, associado a bactérias de invasão secundária, provoca tosse, edema pulmonar e broncopneumonia verminótica. A fasciolose, causada pela Fasciola hepatica, atinge ovinos, bovinos e vários outros vertebrados.
Lã.

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