PÁSSAROS – Trabalho Escolar.

PÁSSAROS

Admirados pela beleza de seu canto ou pelo colorido da plumagem, os pássaros podem ser vistos e ouvidos em todas as regiões do planeta, com exceção da Antártica. A diversidade de sua aparência, do vôo, dos hábitos e demais traços biológicos é fonte permanente de saber para os especialistas e de alegria para os amadores.
Pássaros, ou passarinhos, são os integrantes da ordem mais representativa da classe das aves, a dos passeriformes, que reúne cerca de cinqüenta famílias e mais de cinco mil espécies, de tamanho geralmente reduzido em comparação com outras aves.

Traços dominantes. Os pássaros têm as patas adaptadas à necessidade de empoleirar-se, com três dedos para a frente e um, maior, para trás (chamado hálux). O bico é desprovido de ceroma, membrana que reveste a base do bico das outras aves. Como estas, os pássaros contam com um órgão vocal, a siringe, que em seu caso é mais complexo, para facilitar o canto– habilidade desenvolvida apenas pelos machos — ou o grito. Também são características dos pássaros a feitura de ninhos mais elaborados, o modo de voar em que as asas são movidas como remos e a vida quase sempre arborícola. O regime alimentar, no entanto, é menos específico e, como inclui mais insetos do que grãos ou frutos, confere-lhes grande utilidade no equilíbrio dos ecossistemas dominados pelo homem.
A plumagem, muitas vezes de cores vivas e brilhantes como, no Brasil, as do galo-da-serra e saíras, e, na Indonésia, a da ave-do-paraíso, pode também ser discreta, como em algumas das espécies de canto mais apreciado, entre as quais o rouxinol europeu e a garriça e o curió sul-americanos. A coloração percorre todos os matizes, do negro esplêndido nos corvos e melros ou graúnas até a alvura de algumas variedades de canário, passando pelo vermelho intenso do tié-sangue, os vários tons de azul do sanhaço e assim por diante.
O bico dos pássaros é de conformação anatômica igualmente variável, segundo a adaptação à dieta predominante: são finos nos insetívoros — e até recurvos, particularmente aguçados nos arapaçus — ou mais fortes, espessos nos granívoros, às vezes aptos a romper a casca de duros frutos secos como o pinhão e a avelã, para lhes retirar as sementes.
Em quase todas as espécies de passeriformes o macho é maior e mais vistoso do que a fêmea. Os ninhos, em geral, são feitos a céu aberto, trançados com gravetos, palha, raízes e outros materiais, em forma de concha ou bolsa pendente, ou são construídos com terra úmida, como um forno de um ou mais compartimentos, no caso do joão-de-barro (Furnarius rufus). Em outras espécies a postura efetua-se no interior de galerias cavadas no solo. Os filhotes nascem cegos, pelados e, dentro da boca que escancaram, trazem diversos pontos de forte colorido que servem para orientar a tarefa da alimentação, exercida tanto pela mãe como pelo pai.
Com exceção dos gelos da Antártica, existem pássaros em todos os habitats da Terra, em todos os climas e altitudes, no interior dos continentes ou nas zonas litorâneas, mas sua distribuição geográfica privilegia as regiões mais quentes, para onde migram no inverno muitas espécies dos países frios, como as andorinhas. Só em terras brasileiras se conhecem mais de 1.500 espécies de pássaros e cerca de 2.500 subespécies.

Classificação. A ordem dos passeriformes divide-se em duas subordens, segundo se verifique ou não a presença de um vínculo entre o tendão do músculo que flexiona os dedos dianteiros e o do hálux. São, respectivamente, os pássaros desmodáctilos e os eleuterodáctilos. A primeira dessas subordens apresenta uma única família, a dos eurilaimídeos, no Oriente, e a segunda abrange todos os outros passeriformes, classificados em duas infraordens — a dos mesomiódios e a dos acromiódios, conforme a menor ou maior complexidade muscular de sua siringe.
Outras distinções anatômicas levaram os ornitólogos a subdividir os mesomiódios em duas superfamílias, a dos haploófones e a dos traqueófones. A primeira inclui oito famílias —  quatro das quais apenas das Américas: cotingídeos (como a araponga), piprídeos (como o tangará), tiranídeos (como o bem-te-vi) e oxiruncídeos (de uma só espécie, o chibante) — e a segunda, cinco: furnarídeos (como o joão-de-barro), dendrocolaptídeos (como o arapaçu), formicarídeos (como a tovacuçu), conopofagídeos (como o chupa-dente) e rinocriptídeos (de nenhum ou raros exemplos com nome em português).
Os acromiódios dividem-se em duas superfamílias: subóscines — com a família dos atricornitídeos e a dos menurídeos (pássaro-lira) — e óscines, que envolve as famílias da maioria das espécies canoras propriamente ditas, entre as quais a dos turdídeos (rouxinol, sabiá), a dos fringilídeos (canário, pintassilgo, bicudo, curió, tico-tico), e a dos trogloditídeos (garriça, uirapuru).
Outras importantes famílias de pássaros são os corvídeos, representados pelo célebre corvo do hemisfério norte, pela pega e, nos países sul-americanos, por diversas espécies de gralha; os traupídeos, que compreendem cerca de trinta gêneros e setenta espécies, como o tiê, o sanhaço e as saíras; os hirundinídeos, das andorinhas, que capturam os insetos em pleno vôo; os mimídeos, a que pertence o sabiá-da-praia; os icterídeos, de numerosos passarinhos brasileiros como o chopim, o pássaro-preto ou graúna, o dócil corrupião ou sofrê (ao qual, no Brasil, se ensina a assobiar até acordes do hino nacional), o xexéu e o guaxe; os parulídeos, que reúnem os sebinhos e mariquitas; os ploceídeos, como o pardal; e os paradiseídeos, das aves-do-paraíso.
Há ainda famílias de pássaros de distribuição quase exclusivamente européia, como a dos motacilídeos (em que se inclui a cotovia, de tantas alusões literárias) e a dos esturnídeos (a que pertencem os estorninhos), ou características da fauna peculiar à Austrália e outras regiões isoladas do planeta. Nas últimas décadas do século XX, o desenvolvimento da consciência ecológica concedeu aos pássaros um lugar primordial em sua escala de preocupações e iniciativas. A partir dessa época, em quase todos os países, ao mesmo tempo que se passou a censurar e desestimular a prática da criação de pássaros em cativeiro, começaram-se a divulgar instruções para a observação e atração dos pássaros em liberdade, por meio de binóculos e outros meios apropriados, assim como seu registro fotográfico ou cinematográfico, e a gravação de seus cantos — pioneiramente realizada, no Brasil, pelo ornitólogo Dalgas Frisch.

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