PRIMATAS – Características – Classificação sistemática – Prossímios – Origens e evolução – Antropoídeos – Biologia, ZOOLOGIA, Trabalho Escolar.

PRIMATAS

Entre todos os mamíferos, os primatas distinguem-se como os animais que obtiveram maior êxito evolutivo. Uma de suas subordens, a dos antropoídeos, inclui o homem, de estreitas afinidades estruturais e bioquímicas com os demais, embora destes se separe pelo abismo intransponível das diferenças psíquicas e do desenvolvimento cultural.
Primatas são os animais que constituem a ordem de mamíferos a que pertencem as subordens dos prossímios e dos antropoídeos, na qual se incluem os macacos e o homem. Os primatas compreendem, portanto, os produtos mais acabados da evolução dos seres vivos. A subordem mais primitiva dos primatas, a dos prossímios, conserva em sua constituição e traços anatômicos grande parte das características de seus antepassados.

Características básicas. Na classe dos mamíferos, a subclasse Eutheria ou eutérios (providos de placenta) divide-se em várias ordens, uma das quais é a dos primatas. Estes apresentam uma singularidade fundamental, a pentadactilidade (cinco dedos nas extremidades dos membros anteriores e posteriores). Além disso, seu esqueleto conserva a clavícula, que se reduz até quase desaparecer nos mamíferos corredores e marchadores, adaptados para caminhar em terra firme.
Outra característica importante dos primatas é a frontalidade dos olhos, que se situam na mesma linha, na parte anterior da face. Relacionadas com essa tendência, verificam-se estruturas esqueléticas faciais curtas e uma maior capacidade craniana. Por conseguinte, o encéfalo tem maior volume e massa, o que implica maior complexidade neurológica e de coordenação. Resultam daí, nos primatas, faculdades psíquicas superiores às de todas as outras ordens, com notável capacidade de aprendizagem e adaptação.
A situação dos olhos na posição frontal implica ainda, como conseqüência, uma visão estereoscópica, que permite ao animal apreciar com grande precisão as distâncias e relevos, o que também é imprescindível à vida arborícola. Em contrapartida a essa agudeza visual, a capacidade olfativa dos primatas é relativamente modesta.
A dentição, em seu conjunto, é pouco especializada e indica o tipo de dieta que constituía, originalmente, a base da alimentação desses vertebrados: frutos, sementes, folhas etc. Tampouco existem na estrutura anatômica dos primatas armas ofensivas ou defensivas ressaltáveis, exceto em certas espécies (como no caso das presas dos mandris). A pressão evolutiva, em seu caso, favoreceu-lhes mais o desenvolvimento da inteligência do que o incremento da agressividade. Desde as formas mais rudimentares às mais evoluídas — ou seja, dos lóris até os chimpanzés e gorilas –, aumentam o tamanho e a corpulência, como mostram as diferenças de peso entre alguns lemurídeos, como o sagüi-leãozinho, que mal chega a cem gramas, e macacos, como os gorilas, que atingem 275kg.
Entre os primatas atuais, muitos levam existência arborícola, enquanto outros se habituaram a viver em terra firme. Têm capacidade de adaptação climática, a não ser no caso do homem, bastante reduzida, pois sua área de distribuição, em estado selvagem, limita-se às regiões tropicais ou subtropicais, nas matas ou nos campos. Exceção notável é o macaco-japonês, que é, dentre os primatas, o que vive em locais de latitude mais alta e tem como habitat lugares montanhosos e onde a neve é habitual.
A dieta dos primatas é muito variada e abrange desde o regime carnívoro, comum entre os prossímios e espécies de menor porte, até o vegetariano, dos grandes antropoídeos pongídeos, além do onívoro, ainda mais freqüente. Algumas espécies são dotadas de bolsas faciais, cavidades formadas pela dilatação da mucosa bucal e empregadas para armazenar alimentos apanhados rapidamente e em seguida consumidos com calma, quando o animal chega a lugar seguro.

Classificação sistemática. Por ser a espécie humana incluída nessa ordem, os primatas atraem grande atenção dos estudiosos. Por isso, são numerosas as formas de classificação, especialmente no que diz respeito a ordens e famílias. A classificação básica e mais utilizada é a do paleontologista americano George Gaylord Simpson, esquematizada em 1945, que divide os primatas em duas subordens: a dos prossímios, de características muito primitivas, e a dos antropoídeos que, à exceção do homem, são vulgarmente conhecidos como macacos ou símios (em oposição aos prossímios) e incluem os gêneros e espécies superiores.

Prossímios. Em sua maioria, os prossímios são carnívoros — mas principalmente insetívoros — e notívagos, com olhos grandes e frontais, caudas extensas e não-preênseis. Simpson distingue nessa subordem as seguintes famílias: tupaídeos, lemurídeos, indriídeos, daubentonídeos, lorisídeos e tarsídeos. Esse esquema, no entanto, é questionado no que diz respeito à inclusão dos tupaídeos — que apresentam traços típicos tanto dos primatas quanto dos insetívoros — e dos tarsídeos, com várias características primitivas que os aproximam mais dos macacos (antropoídeos).
Os lemurídeos, das ilhas Madagascar e Comores, incluem os gêneros Eulemur, Hapalemur, Varecia e Petterus, além do belo Lemur. Os gêneros Microcebus, Mirza, Cheirogaleus, Allocebus e Phaner, inicialmente classificados entre os lemurídeos, na década de 1970 foram incluídos por alguns zoólogos entre os quirogaleídeos, família que alguns consideram associada aos lorisídeos. Segundo esses especialistas, também se pode distinguir a família, que não foi reconhecida por Simpson, dos megaladapídeos, cujo único gênero vivo, Lepilemur, já foi classificado entre os lemurídeos. As três espécies do gênero Megaladapis acham-se extintas.
Na família dos indriídeos contam-se os gêneros Indri (cuja única espécie, I. Indri, do nordeste de Madagascar, é o maior prossímio vivo, com corpo de 61 a 90cm, cauda de 5 a 6,4cm, e sete a dez quilos de peso), Avahi, Propithecus, Mesopropithecus, Archaeolemur, Hadropithecus, Palaeopithecus e Archaeoindris. A família dos daubentonídeos, também de Madagascar, se reduz ao aiai (Daubentonia madagascariensis), um curioso animal cujo terceiro dedo de ambas as mãos é muito comprido e fino, empregado para extrair larvas e insetos das cascas de árvore.
Os lorisídeos incluem os gêneros Loris, Galago, Galagoides, Nycticebus, Arctocebus, Perodicticus, Euoticus e Otolemur, entre eles os lóris e gálagos, espécies da África e da Ásia. Os tarsídeos, com o gênero Tarsius, têm tarso ou tornozelo superalongado e olhos enormes, que garantem o comportamento notívago do animal.
Nas últimas décadas do século XX já havia aceitação generalizada de que os tupaídeos, durante muito tempo considerados insetívoros e, posteriormente, primatas, pertencem a uma ordem distinta, a dos Scandentia. No caso dos tarsídeos, a tendência parece ser a de incluí-los numa nova subordem dos primatas, designada Haplorhini, ao lado dos antropoídeos, enquanto os prossímios, com exceção dos tarsídeos, passariam a compor outra subordem, designada Strepsirhini. Ainda há divergências, porém, entre os estudiosos. Há quem defenda, atualmente, a inclusão dos tarsídeos entre os Strepsirhini, o que torna, afinal, mais apropriada a classificação proposta por Simpson em 1945. Outros zoólogos, porém, preferem manter os tarsídeos na subordem Halorphini.

Antropoídeos. A subordem dos antropoídeos compreende as seguintes superfamílias: ceboídeos, do continente americano, cercopitecoídeos, da África e da Ásia, e hominoídeos, também da África e da Ásia. Os ceboídeos, encontrados no continente americano, incluem as famílias de cebídeos (macacos-da-noite, uacaris, sauás, parauaçus, guaribas, monocarvoeiros ou muriquis, macacos-prego, macacos-de-cheiro, macacos-aranha, barrigudos etc.) e calitriquídeos (micos, sagüis). Os gêneros da família dos cebídeos são Saimiri, Aotus, Callicebus, Xenothrix, Alouatta, Pithecia, Chiropotes, Cacajao, Cebus, Lagothrix, Ateles e Brachyteles. Os dos calitriquídeos são: Saguinus (que até o século XIX costumava ser conhecido como Tamarin ou Leontocebus), Leonpithecus (às vezes também chamado Leontideus, ao qual pertence o mico-leão-dourado), Callithrix, Cebuella (cuja única espécie, C. pygmaea, é o menor primata do continente americano), e Callimico.
Os cercopitecoídeos, encontrados na África e na Ásia, têm uma só família, a dos cercopitecídeos, com 19 gêneros, na qual se incluem os resos, cinocéfalos, mandris, babuínos, macacos-japoneses etc. Também da África e da Ásia, os hominoídeos reúnem, além dos hominídeos (com seu único gênero Homo, no qual se classifica a espécie humana), as famílias dos pongídeos, com três gêneros vivos e à qual pertencem o chimpanzé (gênero Pan), o gorila (Gorilla) e o orangotango (Pongo), e dos hilobatídeos, com seu único gênero Hylobates (siamango).

Origens e evolução. O estudo dos primatas fósseis é importante para a elucidação das origens do homem. De modo geral, os primatas fósseis apresentam compleições diversas das encontradas entre os atuais. Primeiro aparecem unicamente as formas mais simples dos prossímios; depois, surgem restos fósseis de macacos; a seguir vêm seres relacionados com os antropóides; e, finalmente, seres hominídeos.
Há 150 milhões de anos, na era mesozóica, e já no período cretáceo, os mamíferos começaram a diferençar-se nas várias subclasses de que se originaram as ordens de hoje. É nos terrenos do paleoceno, no início da era cenozóica — cuja idade gira em torno de 65 milhões de anos — que se encontram os restos dos mais antigos primatas, pequenos, arborícolas, parecidos com os musaranhos.
Nos testemunhos do período seguinte, o eoceno, foram achados, tanto na Europa como na América, fósseis de lêmures. Do período subseqüente, o oligoceno, encontraram-se na Mongólia os restos de um animal denominado anagale, que, sob certos aspectos, ocupa lugar intermediário entre os níveis dos primitivos primatas esquiloformes e os lêmures. Também no eoceno, os tarsídeos evoluíram e irradiaram-se pela Europa e América. São os mais interessantes, por apresentarem características intermediárias entre as fases tarsióide e pitecóide, o Necrolemur e o Microchoerus.
O mais antigo antropoídeo conhecido é o do período oligoceno. Segue-se-lhe o Parapithecus, que viveu no Egito há cerca de 45 milhões de anos e conserva traços de seus ancestrais tarsióides eocenos. Pode ser um representante de um tronco ancestral dos hominídeos. Estudos comparativos parecem demonstrar que os hominídeos descendem diretamente de ancestrais tarsióides, sem passar pelo estágio dos macacos comuns. Isto é, estes últimos já teriam divergido do tronco de evolução dos hominídeos desde o oligoceno antigo, passando a evoluir independentemente até as espécies atuais.

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