RUMINANTES – Características gerais – Na pré-história – Classificação dos ruminantes – Biologia, ZOOLOGIA, Trabalho Escolar.

RUMINANTES

Na pré-história, grandes manadas de mamíferos herbívoros pastavam em extensas regiões do planeta, pradarias, estepes e savanas, onde mantinham um delicado equilíbrio com o ambiente. A alteração dos ecossistemas provocada pela civilização fez desaparecer essa imagem da maior parte dos continentes, com exceção da África, último reduto de rebanhos de várias espécies de ruminantes.
Ruminantes são animais cujo aparelho digestivo é dotado de um estômago duplo, com quatro cavidades. Esse sistema de digestão constitui um complexo laboratório, cujo principal objetivo é melhor assimilar os escassos nutrientes da pastagem.,

Características gerais. Os ruminantes formam uma subordem da ordem dos artiodáctilos, classe dos mamíferos. Em geral, são bem dotados para a corrida em terra firme, graças à estrutura de suas patas, terminadas em número par de dedos revestidos por cascos. Essa constituição permite um contato mínimo do animal com o solo, bem como apoio firme e ágil no terreno e ponto seguro de impulsão para a corrida. De acordo com as famílias, o ruminante pode apresentar dois ou quatro dedos.
As diferenças quanto ao tamanho e corpulência são notáveis: os ruminantes abrangem desde as girafas até os dik-dik, antílopes africanos de apenas trinta centímetros de altura. Nessa subordem, incluem-se animais tão fortes quanto os búfalos e tão graciosos quanto os antílopes e gazelas. Também são ruminantes importantes espécies domésticas como a ovelha, a vaca e a cabra, que tiveram grande importância na formação e no progresso da civilização humana.
Com exceção dos chamados chevrotains, da família dos tragulídeos, a maioria possui chifres na porção frontal do crânio, maiores nos cervos, alces e em muitos outros antílopes. Nas girafas existem pequenos chifres na forma de cotos, totalmente recobertos de pele aveludada, em número que varia de três a cinco. Nos cervídeos, os chifres são prolongamentos dos ossos frontais que caem todos os anos, regeneram-se e crescem em várias ramificações. Essas defesas se desenvolvem apenas nos machos da família, com exceção da rena, espécie em que ambos os sexos apresentam chifres. Os chifres dos bovídeos, como a cabra e a vaca, por exemplo, são protuberâncias ocas do osso frontal, recobertas de uma camada córnea; na maior parte das espécies dessa família, os chifres são permanentes e crescem nos dois sexos.
Característica específica dos ruminantes é o sistema digestivo, em particular o estômago. As quatro cavidades denominam-se pança ou rume, retículo ou barrete, folhoso e coagulador. Na primeira delas, o alimento ingerido é armazenado e fermentado por ação de certas bactérias que ali vivem como organismos simbióticos e que, com suas enzimas, degradam a celulose, componente fundamental da pastagem. Tal característica permite que esses herbívoros sobrevivam quase exclusivamente à base de plantas. Da pança, o alimento fermentado passa ao retículo e é regurgitado, ou seja, volta para a cavidade bucal, onde é mastigado novamente. Esse processo é denominado ruminação e dá origem ao nome da subordem. Posteriormente, o alimento ruminado chega ao folhoso, cavidade assim chamada por apresentar uma série de lâminas parecidas com folhas. É no coagulador que finalmente se realiza a digestão propriamente dita, ou degradação dos principais componentes do alimento.
Entre os ruminantes, há animais que pastam e outros que se alimentam de ramos e folhas, além da relva. Ao segundo grupo pertencem, por exemplo, a girafa e o ocapi. Os ruminantes constituem uma peça importante na cadeia alimentar dos ecossistemas em que vivem, pois regulam o crescimento da vegetação nas amplas planícies herbáceas que freqüentam e servem de alimento para considerável número de predadores, entre os quais os grandes felinos e canídeos. Destacam-se por seu gregarismo, que os leva a formar rebanhos numerosos, o que contribui para sua defesa e proteção. Algumas espécies, no entanto, apresentam hábitos solitários ou formam apenas pequenos grupos.
É notável o comportamento que apresentam muitos desses animais na época da reprodução, quando ocorrem verdadeiros combates rituais entre os machos pela posse das fêmeas, como acontece entre os cervos, alces e girafas. Estas últimas empregam suas próprias cabeças como armas contra os adversários, impulsionadas pelos longuíssimos pescoços. O olfato desempenha papel importante na relação entre os sexos, pois graças a ele os machos detectam as secreções provenientes das glândulas das fêmeas e condicionam sua resposta à informação que delas recebem.

Classificação dos ruminantes. Os ruminantes compreendem cinco famílias: tragulídeos, girafídeos, cervídeos, bovídeos e antilocaprídeos. Os tragulídeos são os mais primitivos do grupo: não têm chifres, seu estômago apresenta apenas três cavidades nitidamente diferenciadas — o folhoso aparece reduzido –, são pequenos e possuem costumes solitários e noturnos. Também chamados chevrotains, têm aspecto semelhante ao de grandes roedores. Os girafídeos compreendem as girafas e ocapis, animais de aspecto singular devido à altura do pescoço. Com ele, esses animais, sobretudo as girafas, têm acesso a pontos das árvores que outros herbívoros não conseguem alcançar. O tamanho do pescoço do animal não é devido à presença de elevado número de vértebras cervicais, mas sim ao alongamento das mesmas.
Os cervídeos são representados nos cinco continentes. Suas diversas espécies exibem chifres de características muito definidas, que permitem, na maioria dos casos, a imediata identificação desses animais. Apenas o cervo aquático chinês e o cervo almiscareiro são desprovidos desses elementos de defesas e desenvolveram, na mandíbula superior, caninos longos e curvos que se projetam para fora da boca. Alces, cervos comuns, renas, gamos e outras espécies menores, como os corços e os cervos dos pampas, são alguns dos membros mais destacados dessa família.
A família dos bovídeos abrange grande número de espécies, algumas das quais de importância vital para o homem, por constituírem, há milênios, uma das principais fontes de sua subsistência e a base da pecuária. Esse é o caso do boi, do carneiro e da cabra, dos quais se obtêm carne, leite, lã e outros produtos. Os bovídeos possuem apenas um par de dedos em cada extremidade e, em certos casos, aparecem rudimentos dos dedos laterais desaparecidos. Além das espécies domésticas mencionadas, compõem essa família bovinos como o iaque asiático, o boi almiscareiro da tundra ártica, o quase extinto bisão americano ou o búfalo cafre africano; caprinos como o mouflon, a cabra e a camurça; ou antílopes e gazelas, como o órix e o impala. A família dos antilocaprídeos apresenta uma única espécie, o pronghorn, que habita as pradarias norte-americanas e apresenta chifres ocos com uma camada córnea dotada de ramos curtos; a camada cresce sobre um substrato ósseo como uma protuberância do osso frontal e se renova anualmente.

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