Fascismo – 1 Etimologia 2 Definições 2.1 Posição no espectro político 3 História 3.1 A origem da ideologia do fascismo 4 Fascismo e outros regimes totalitários 4.1 Fascismo e nazismo 4.2 Fascismo e socialismo 4.3 Anticomunismo 5 Fascismo e cristianismo 5.1 Fascismo e anti-catolicismo 6 Prática do fascismo 7 Fascismo como um fenômeno internacional 7.1 Europa 7.2 Ásia 7.3 América do Sul 7.4 Outras nações 8 Conceito atual 8.1 Neofascismo 8.2 Fascismo de esquerda 8.3 Fundamentalismos religiosos 8.4 Fascista como insulto – Trabalho Escolar

Fascismo

Fascismo é uma forma de radicalismo político autoritário nacionalista1 2 que ganhou destaque no início da Europa do século XX. Os Fascistas procuravam unificar sua nação através de um estado totalitário que promove a mobilização em massa da comunidade nacional,3 4 confiando em um partido de vanguarda para iniciar uma revolução e organizar a nação em princípios fascistas.5 Hostil a democracia liberal, ao socialismo e ao comunismo, os movimentos fascistas compartilham certas características comuns, incluindo a veneração ao Estado, a devoção a um líder forte e uma ênfase em ultranacionalismo, etnocentrismo e militarismo. O fascismo vê a violência política, a guerra, e o imperialismo como meios para alcançar o rejuvenescimento nacional3 6 7 8 e afirma que as nações e raças consideradas superiores devem obter espaço deslocando aqueles considerados fracos ou inferiores.9

O fascismo emprestou teorias e terminologias do socialismo, mas aplicou-as sob o ponto de vista que o conflito entre as nações e raças fossem mais significativo, do que o conflito de classes e teve foco em acabar com as divisões de classes dentro da nação.10 Defendeu uma economia mista, com o objetivo principal de conseguir autarquia para garantir a auto-suficiência, e a independência nacional através de protecionista e políticas econômicas intervencionistas.4 O fascismo sustenta o que é às vezes chamado de Terceira posição entre o capitalismo e o socialismo marxista.11

Influenciados pelo sindicalismo nacional, os primeiros movimentos fascistas surgiram na Itália, cerca da Primeira Guerra Mundial, combinando elementos da política de esquerda com mais tipicamente a política de direita, em oposição ao socialismo, ao comunismo, a democracia liberal e, em alguns casos, o conservadorismo de direita tradicional. Embora o fascismo é geralmente colocado no extremo direito12 no tradicional espectro esquerda-direita, os fascistas em si e alguns comentaristas argumentaram que a descrição é inadequada.13 14 15 16

Etimologia

O termo fascismo é derivado da palavra em latim fasces.17 um feixe de varas amarradas em volta de um machado,18 foi um símbolo do poder conferido aos magistrados na República Romana de flagelar e decapitar cidadãos desobedientes.19 Eram carregados por lictores e poderia ser usado para castigo corporal e pena capital a seu próprio comando.20 21 Mussolini adotou esse símbolo para o seu partido, cujos seguidores passaram a chamar-se fascistas.22

O simbolismo dos fasces sugeria “a força pela união”: uma única haste é facilmente quebrado, enquanto o feixe é difícil de quebrar.23 Símbolos semelhantes foram desenvolvidos por diferentes movimentos fascistas. Por exemplo, o símbolo da Falange Espanhola é composto de cinco flechas unidas por uma parelha.24

O fasces,era um feixe de varas amarradas em volta de um machado19
Definições

Historiadores, cientistas políticos e outros estudiosos têm debatido por muito tempo a natureza exata do fascismo.25 Cada forma de fascismo é diferente, deixando muitas definições amplas ou restritas demais.26 27

Roger Griffin descreve o fascismo como “um gênero de ideologia política cujo núcleo mítico em suas várias permutações é uma forma palingenetica de ultranacionalismo populista”.13 Griffin descreve a ideologia como tendo três componentes principais:. “(i) o mito do renascimento, (ii) populista ultra-nacionalismo e (iii) o mito da decadência”.13 O fascismo é “uma forma verdadeiramente revolucionária, anti-liberal, multiclasse, e, em última análise, nacionalista anti-conservadora” construído sobre uma complexa gama de influências teóricas e culturais. Ele distingue um período entre-guerras quando se manifestou através de “partidos políticos armados” liderados por elites populistas se opondo ao socialismo e ao liberalismo e prometendo uma política radical para salvar o país da decadência.28

Emilio Gentile descreve o fascismo dentro de dez elementos constitutivos:29

um movimento de massa de adesão multiclasse em que prevalecem, entre os líderes e os militantes, os setores médios, em grande parte, novos na atividade política, organizados como uma milícia partidária, que baseiam sua identidade não em hierarquia social ou origem de classe, mas em um sentido de camaradagem, acredita-se investido de uma missão de regeneração nacional, considera-se em estado de guerra contra adversários políticos e visa conquistar o monopólio do poder político por meio do terror, política parlamentar e acordos com grupos maiores, para criar um novo regime que destrói a democracia parlamentar;
uma ideologia “anti-ideológica” e pragmática que se proclama antimaterialista, anti-individualista, antiliberal, antidemocrática, anti-marxista,mas populista e anticapitalista em tendência, se expressando esteticamente mais que, teoricamente, por meio de um novo estilo de política e por mitos, ritos e símbolos, como uma religião leiga projetada para aculturar, socializar e integrar a fé das massas com o objetivo de criar um “novo homem”;
uma cultura fundada no pensamento místico e o no sentido trágico e ativista da vida concebida como a manifestação da vontade de poder, sobre o mito da juventude como artífice da história, e na exaltação da militarização da política como modelo de vida e atividade coletiva;
uma concepção totalitária do primado da política, concebida como uma experiência de integração para realizar a fusão do indivíduo e das massas na unidade orgânica e mística da nação como uma comunidade étnica e moral, a adoção de medidas de discriminação e perseguição contra aqueles considerados fora desta comunidade quer como inimigos do regime ou membros de raças consideradas inferiores ou perigosas para a integridade da nação;
uma ética civil, fundada em total dedicação à comunidade nacional, sobre a disciplina, a virilidade, a camaradagem e o espírito guerreiro;
um estedo de partido único que tem a tarefa de prover s defesa armada do regime, a seleção de seus quadros de direção e organização das massas no interior do estado, em um processo de mobilização permanente de emoção e da fé;
um aparato policial que impede, controla e reprime a dissidência e a oposição, mesmo usando o terror organizado;
um sistema político organizado pela hierarquia de funções nomeadas a partir do topo e coroado pela figura de “líder”, investido com um carisma sagrado, que comanda, dirige e coordena as atividades do partido e do regime;
organização corporativa da economia que suprime a liberdade sindical, amplia a esfera de intervenção do Estado, e visa alcançar, por princípios de tecnocracia e solidariedade, a colaboração dos “setores produtivos” sob o controle do regime, para alcançar seus objetivos de poder, ainda preservando a propriedade privada e as divisões de classe;
uma política externa inspirada no mito do poder nacional e grandeza, com o objetivo de expansão imperialista.
—Emilio Gentile
Stanley Payne descreve o fascismo em três setores de características: sua ideologia e objetivos, suas negações e seu estilo e organização.30 São os seguintes:30

“A. A ideologia e os objetivos”
“Adoção de uma filosofia idealista, vitalista e voluntarista, normalmente envolvendo a tentativa de realizar uma nova cultura auto-determinada, secular e moderna”
“Criação de um novo Estado autoritário nacionalista não baseado em princípios ou modelos tradicionais”
“Organização de uma nova estrutura econômica nacional integrada, altamente regulada, multiclasse; seja chamada de corporativista nacional, nacional-socialista, nacional sindicalista”
“Avaliação positiva e uso, ou vontade de usar a violência e a guerra”
“O objetivo do império, expansão ou uma mudança radical na relação do país com as outras potências”
“B. As negações fascistas”
“Antiliberalismo”
“Anticomunismo”
“Anticonservacionismo (embora com o entendimento de que grupos fascistas estavam dispostos a realizar alianças temporárias com outros setores, mais comumente com a direita)”
“C. O estilo e a organização”
“Tentativa de mobilização de massas com a militarização das relações políticas e estilo e com o objetivo de uma milícia de massa de partido único”
“Ênfase na estrutura estética em encontros, símbolos e liturgia política, enfatizando aspectos emocionais e místicos”
“Estresse extremo no princípio masculino e na dominação masculina, enquanto defendendo uma visão fortemente orgânica da sociedade”
“Exaltação da juventude acima de outras fases da vida, enfatizando o conflito das gerações, pelo menos, para efetuar a transformação política inicial”
“Tendência específica em direção a um estilo autoritário, carismático e pessoal de comando, se o comando for, em certa medida, inicialmente eletivo”30
Paxton vê o fascismo como “uma forma de comportamento político marcado pela preocupação obsessiva com o declínio da comunidade, humilhação ou vitimização e pelo culto compensatório da unidade, energia e pureza, na qual um partido de massas de militantes nacionalistas comprometidos, trabalhando em inquieta, mas colaborativamente efetiva com as elites tradicionais, abandona as liberdades democráticas e persegue com violência redentora e sem restrições éticas ou legais de limpeza interna e expansão externa “.31

Uma definição comum de fascismo se concentra em três grupos de idéias:

As negações fascistas de anti-liberalismo, anti-comunismo e anti-conservadorismo.
Objetivos nacionalistas e autoritários para a criação de uma estrutura econômica regulada para transformar as relações sociais dentro de uma cultura moderna, auto-determinada.
Uma estética política usando simbolismo romântico, mobilização em massa, visão positiva da violência, promoção da masculinidade e da juventude e liderança carismática.32 33 34
Posição no espectro político

O fascismo é comumente descrito como “Extrema-direita”35 36 embora alguns autores têm encontrado dificuldade em colocar o fascismo em um espectro político esquerda-direita convencional.37 38 39 40 5 O fascismo foi influenciada pela esquerda e pela direita, conservadores e anti-conservadores, nacionais e supranacionais, racionais e anti-racionais.28 Um número de historiadores têm considerado o fascismo ou como uma doutrina centrista revolucionária, ou uma doutrina que mistura filosofias da esquerda e da direita, ou como ambas as coisas,40 5 não existindo assim, um puro centro, indistinto e não adjetivado, nem uma pura posição extrema.41

O fascismo é considerado por alguns estudiosos como de extrema-direita por causa de seu conservadorismo social e meios autoritários de oposição ao igualitarismo.42 43 Roderick Stackleberg coloca o fascismo, incluindo o nazismo, que ele diz ser “uma variante radical do fascismo”, do lado direito, explicando que “quanto mais a pessoa considerar a igualdade absoluta entre todos os povos para ser uma condição desejável, mais à esquerda vai estar no espectro ideológico. Quanto mais uma pessoa considera a desigualdade como inevitável ou mesmo desejável, o mais para a direita será “.44

Fascismo italiano gravitou para a direita no início de 1920.45 46 Um elemento importante do fascismo, que tem sido considerado como claramente de extrema-direita é o seu objetivo de promover o direito das pessoas alegadamente superiores terem dominação enquanto removendo elementos ditos inferiores da sociedade.47

Benito Mussolini em 1919 descreveu o fascismo como um movimento que atingiria “contra o atraso da direita e a destrutividade da esquerda”.48 Mais tarde, os fascistas italianos descreveram o fascismo como uma ideologia de extrema-direita em seu programa político A Doutrina do Fascismo, afirmando: “Somos livres para acreditar que este é o século da autoridade, um século tendendo para o ‘direita’, um século fascista “.49 50 No entanto, Mussolini esclareceu que a posição do fascismo no espectro político não era um problema sério para os fascistas e declarou que:

Fascismo, sentado à direita, também poderia ter sentado na montanha do centro… Estas palavras, de qualquer caso, não tem um significado fixo e imutável: eles têm um assunto variável em localização, tempo e espírito. Nós não damos a mínima para essas terminologias vazias e desprezamos aqueles que são aterrorizados por essas palavras.51

A posição de direita política no movimento fascista italiano no início de 1920, levou à criação de facções internas. A “esquerda fascista” incluíu Michele Bianchi, Giuseppe Bottai, Angelo Oliviero Olivetti, Sergio Panunzio e Edmondo Rossoni, que estavam comprometidos com o avanço do sindicalismo nacional como um substituto para o liberalismo parlamentar a fim de modernizar a economia e avançar os interesses dos trabalhadores e do povo.52

A “direita fascista” incluiu membros do paramilitar Squadristi e ex-membros da Associazione Nazionalista Italiana (ANI).52 Os Squadristi queriam estabelecer o fascismo como uma ditadura completa, enquanto os ex-membros ANI, incluindo Alfredo Rocco, procuravam um estado corporativista autoritário para substituir o Estado liberal na Itália, mantendo as elites existentes. No entanto, após acomodar a direita político, surgiu um grupo de fascistas monarquistas, que procuraram usar o fascismo para criar uma monarquia absoluta sob o rei Victor Emmanuel III da Itália.52

Depois que Victor Emmanuel III forçou Mussolini a renunciar como chefe de governo e o colocou na prisão, em 1943, Mussolini foi resgatado por forças alemãs e então passou a depender da Alemanha para ter apoio, Mussolini e os demais fascistas leais fundaram a República Social Italiana com Mussolini como chefe de Estado. Mussolini procurou radicalizar o fascismo italiano, declarando que o Estado fascista havia sido derrubado porque o fascismo italiano tinha sido subvertido pelos conservadores e a burguesia italianos.Em seguida, o novo governo fascista, propôs a criação de conselhos de trabalhadores e participação nos lucros da indústria, no entanto as autoridades alemães que efetivamente controlavam o norte da Itália, neste ponto, ignorou estas medidas e não procurou aplicá-las.53

Uma série de movimentos fascistas se descreveram se como um “terceira posição” fora do espectro político tradicional54 O líder falangista espanhol José Antonio Primo de Rivera disse: “. Basicamente, a direita significa a manutenção de uma estrutura econômica, ainda que uma injusta, enquanto a esquerda tenta subverter essa estrutura econômica, embora a subversão da mesma implicaria a destruição de muita coisa que vale a pena”.55

História

A origem da ideologia do fascismo

Etimologicamente, o uso da palavra fascismo na história política italiana moderna recua aos anos da década de 1890 na forma dos fasci, que eram grupos políticos radicais que proliferaram nas décadas anteriores à Primeira Guerra Mundial. (ver Fascio para mais informação sobre este movimento e sua evolução).

Em 1928, ainda a doutrina fascista não tinha sido oficialmente definida, W. Y. Elliott, da Universidade de Harvard, considerava que o fascismo revelava um “pragmatismo” decerto recebido de Papini, Pantaleone, Pareto, e Sorel.56

A primeira parte do texto Doutrina do Fascismo terá sido escrito por Giovanni Gentile, um filósofo idealista na linha de Hegel, e que serviu como o filósofo oficial do regime. A segunda parte terá sido escrita por Mussolini, mas é este quem assina o verbete e o texto foi-lhe atribuído oficialmente. Nesse texto e nas notas da edição de 1935, dois autores são especialmente referidos como antecessores do fascismo: Giuseppe Mazzini e Ernest Renan. Entre outros, são também invocados como fontes do “grande rio” que vem a desaguar no fascismo: Georges Sorel, Charles Peguy e Hubert Lagardelle.

Estabelecer a origem da ideologia do fascismo, tem gerado muito controvérsia entre os historiadores. Partindo dos tributos intelectuais efectivamente pagos por Mussolini a Giuseppe Mazzini e Ernest Renan, é possível identificar as raízes fundamentais para o seu nacionalismo e estatismo, e também para o seu culto da acção e da violência. Vários autores têm no entanto procurado encontrar outras raízes, sugerindo que nem tudo aquilo que caracterizou a ideologia fascista tem origem nas ideias de Mazzini e Renan.

Uma vez que tanto Sorel como Peguy foram influenciados por Henri Bergson, aí poderia estar também uma das origens do fascismo. Bergson rejeitava o cientismo, a evolução mecânica e o materialismo histórico de Karl Marx. Bergson falou também de um “élan vital” como um processo evolucionário. Ambos estes elementos de Bergson aparecem no fascismo.

Hubert Lagardelle, um conhecido escritor sindicalista, foi influenciado por Pierre-Joseph Proudhon, que é a figura inspiradora do Anarcossindicalismo, portanto nos antípodas da doutrina de Mussolini acerca do Estado.

Foram também referidas as influências do tradicionalismo recebidas por Mussolini. Sergio Panunzio, um teórico do fascismo na década de 1920, tinha um passado sindicalista mas a sua influência diminuiu à medida que o movimento se distanciou das suas raízes esquerdistas.

Também se quis ver no conceito fascista do corporativismo de Estado, em particular a sua teoria da colaboração de classes e relações económicas e sociais regidas pelo Estado, semelhança com as ideias expostas pelo Papa Leão XIII na sua encíclica de 1892 Rerum Novarum.

Esta encíclica reflectia sobre a condição de vida dos operários transformada pela Revolução Industrial, criticando o capitalismo e a exploração das massas operárias na indústria, propondo aos católicos com responsabilidade nos governos que acolhessem e respeitassem as reivindicações dos trabalhadores através dos seus sindicatos, protegendo os seus povos da exploração. Pedia também aos Católicos para aplicarem os princípios da justiça social às suas próprias vidas.

Na encíclica criticava-se o conceito de luta de classes e a visão socialista que apontava para a eliminação da propriedade privada como solução para o problema da exploração. Em alternativa, propunha a solidariedade social entre as classes sociais a realizar através da reactivação de um Corporativismo de Associação como o que fora praticado pelas guildas medievais. A ideia era a de se constituírem sociedades políticas nas quais se reconhecesse os diversos sectores do trabalho. Na defesa do Corporativismo de Associação da encíclica papal, se quis ver a defesa do Corporativismo de Estado enunciado por Mussolini. Em flagrante contradição com a doutrina fascista acerca do papel a desempenhar pelo Estado, dizia-se na referida encíclica: “não é justo que o indivíduo ou a família sejam absorvidos pelo Estado, mas é justo, pelo contrário, que aquele e esta tenham a faculdade de proceder com liberdade, contando que não atentem contra o bem geral, e não prejudiquem ninguém.”57

Gabriele d’Annunzio
O fascismo também se teria baseado em Gabriele D’Annunzio e na Constituição de Fiume, aplicada na sua efémera “regência” da cidade de Fiume. O Sindicalismo teria tido uma influência no fascismo, pelo facto de alguns sindicalistas se terem cruzado com as ideias de D’Annunzio. Antes da Primeira Guerra Mundial, o sindicalismo era tido como uma doutrina militante para a revolução da classe trabalhadora. Distinguia-se do Marxismo porque insistia que o melhor caminho para a classe trabalhadora se liberar era o sindicato em vez do partido. Em 1908, o partido socialista italiano expulsou os sindicalistas. O movimento sindicalista dividiu-se entre o Anarcossindicalismo e outras tendências mais moderadas. Alguns desses “moderados” terão começado a promover os chamados “sindicatos mistos” de trabalhadores e patrões. Nesta linha de acção, eles teriam absorvido alguns ensinamentos dos teóricos católicos, mas expandindo as teorias de um Corporativismo de Associação para um Corporativismo de Estado, desviando-se das influências de D’Annuzio e aproximando-se de ideais mais Estatistas.

Quando foi publicada a tradução italiana do livro Au-delà du marxisme, de Henri de Man, Mussolini estaria inquieto e escreveu que o criticismo de Man havia destruído qualquer elemento “científico” ainda existente no Marxismo. Mussolini achava que a sua organização Corporativa no Estado, com as novas relações entre trabalho e o capital completamente submetidas ao Estado, iriam eliminar o “conflito de interesses econômicos” e portanto neutralizar o “germe da luta de classes”.

Pensadores socialistas que rejeitaram as ideias convencionais, Robert Michels, Sergio Panunzio, Ottavio Dinale, Agostino Lanzillo, Angelo Oliviero Olivetti, Michele Bianchi, e Edmondo Rossoni promoveram essa tentativa de reconciliar o socialismo com o Estatismo.

Fascismo e outros regimes totalitários

Alguns historiadores e teóricos vêem no fascismo e no regime comunista da União Soviética (mais especificamente o Stalinismo) grandes semelhanças, designando-os de “totalitarismo” (uma designação de Hannah Arendt). Outros vêem-nos como incomparáveis. Arendt e outros teóricos do totalitarismo argumentam que há semelhanças entre as nações sob domínio Fascista e Stalinista. Por exemplo, quer Hitler quer Stalin cometeram o assassínio maciço de milhões dos seus concidadãos civis que não se integravam nos seus planos.

De acordo com o doutrinário do libertarianismo Nolan Chart, o “fascismo” ocupa um lugar no espectro político como o equivalente capitalista do comunismo, sendo um sistema que apoia a “liberdade económica” mas que é coagido pelos seus controles sociais de tal forma que se torna totalitário.

Em 1947 o economista austríaco Ludwig von Mises publicou um livro chamado “Caos planejado” (Planned Chaos). Ele afirmava que o fascismo e o Nazismo são ditaduras socialistas e que ambas obedeciam aos princípios soviéticos de ditadura e opressão violenta dos dissidentes.

Ele afirmou que a maior heresia de Mussolini à ortodoxia marxista tinha sido o seu forte subscrever da entrada italiana na Primeira Guerra Mundial do lado aliado (Mussolini pretendia “libertar” áreas de língua italiana vivendo sob o controlo austríaco nos Alpes).

Esta visão contradiz as declarações do próprio Mussolini (para não mencionar os seus oponentes socialistas) e é geralmente vista com cepticismo por historiadores.

Críticos de von Mises argumentam que ele estava atacando um fantoche. Por outras palavras, que ele mudou a definição de socialismo, por forma a acomodar o fascismo e o nazismo a essa definição. O conceito de ditadura do proletariado ao qual Von Mises alude não é o mesmo que o conceito de ditadura empregue pelos fascistas. Ditadura do proletariado é suposto significar, na definição marxista, uma ditadura dominada pelas classes trabalhadoras, em vez de uma ditadura dominada pela classe capitalista. Este conceito foi distorcido por Estaline ao ponto de significar uma ditadura pelo secretário geral do PCUS sobre o partido e as classes trabalhadoras. Neste ponto, Estaline desviou-se de Karl Marx, e como tal não é correto afirmar conduzia uma forma de governo Marxista.

Por outro lado, enquanto o modelo económico fascista baseado no corporativismo promove uma colaboração entre classes numa tentativa de união da mesmas sob o controle do Estado, o modelo marxista promove a eliminação não só das classes como também do próprio Estado.

Adicionalmente, o fato de os estados fascistas, por um lado, e a União Soviética e o bloco soviético por outro, serem estados policiais, não significa que sejam produto do socialismo. Apesar de todos os estados de partido único poderem ser considerados estados policiais, não há qualquer relação entre a definição de socialismo e a definição estado policial, nem todos os estados policias são socialistas ou fascistas. Muitos outros regimes de partido único, incluindo regimes capitalistas, foram também estados policiais. Alguns exemplos são:

A República da China sob o regime Kuomintang de Chiang Kai-shek;
O Afeganistão sob o regime Talibã;
O Irão, durante o regime dos Xá, um estado monárquico policial;
O Vietname do Sul, a Coreia do Sul, Singapura e outros países do sudeste asiático, durante períodos recentes da sua história.
Por outro lado, existiram muitos governos socialistas em sistemas multi-partidários que não foram estados policiais.

Fascismo e nazismo

A suástica nazista.
O nazismo é geralmente considerado como uma forma de fascismo, mas o Nazismo, em contraste com o fascismo, viu o objetivo do Estado no serviço de um ideal daquilo que o Estado supostamente deveria ser: as suas pessoas, raças, e a engenharia social destes aspectos da cultura com o fim último de uma maior prosperidade possível para eles às custas de todos os outros.

Adolf Hitler.
Por seu lado, o fascismo de Mussolini continuou fiel à ideologia de que todos estes fatores existiam para servir o Estado e que não era necessariamente no interesse do Estado servir ou manipular algumas daquelas características. O único objetivo do governo sob o fascismo era auto-valorizar-se como a maior prioridade da sua cultura, simplesmente sendo o Estado em si, quanto maior a sua dimensão, melhor, pelo que se pode dizer que se tratou de uma Estadolatria (idolatria do estado) governamental. Enquanto o nazismo era uma ideologia metapolítica, vendo a si mesmo apenas como uma utilidade pela qual uma condição alegórica do seu povo era o seu objetivo, o fascismo era uma forma sinceramente anti-socialista de Estatismo que existiu por virtude de e com fins em si mesmo. O movimento nazista falou da sociedade baseada em classes como o seu inimigo e pretendia unificar o elemento racial acima de classes estabelecidas, enquanto que o movimento fascista tentou preservar o sistema de classes e sustentou-o como a fundação de cultura estabelecida e progressiva.

Este teorema subjacente fez os fascistas e nazistas de então verem-se como parcialmente exclusivos entre si. Hoje, no entanto, esta diferença não é patente na terminologia, mesmo quando usada num contexto histórico.

O nazismo distingue-se do fascismo por pretender estabelecer teorias raciais. O fascismo não apresentou esta característica, tendo em 1922, visto um terço dos judeus aderir ao movimento liderado por Mussolini[carece de fontes?].

Fascismo e socialismo

O fascismo desenvolveu uma oposição ao socialismo e o comunismo, embora muitos fascistas houvessem sido marxistas no passado. Com relação a isso, em 1923 Mussolini declarou, na Doutrina do Fascismo:

“(…) O fascismo [é] a completa oposição ao … socialismo marxista, à concepção materialista da história das civilizações humanas, que explica a evolução humana como simples conflitos de interesses entre vários grupos sociais e pela mudança e desenvolvimento envolvendo os instrumentos e modos de produção…
O fascismo, agora e sempre, acredita no sagrado e no heroísmo; quer dizer, em acções não influenciadas por motivos económicos, directos ou indirectos. E se a concepção economicista da história for negada, de acordo com a teoria de que os homens são mais do que bonecos, levados ao sabor de ondas de mudança, enquanto as forças controladoras reais estão fora de controle, disso tudo se conclui que a existência de uma luta de classes eterna é também negada —; o produto natural da concepção economicista da história. E acima de tudo o fascismo nega que a luta de classes possa ser a força preponderante na transformação da sociedade.
… A máxima que a sociedade existe apenas para o bem-estar e para a liberdade daqueles que a compõe não parece estar em conformidade com os planos da natureza… Se o liberalismo clássico acarreta individualismo, o fascismo acarreta governo forte.” Benito Mussolini58
Por mais que certos tipos de socialismo possam parecer-se superficialmente ao fascismo, deve ser destacado que as duas ideologias se chocam violentamente em muitos assuntos. O papel do Estado, por exemplo. No socialismo, considera-se que o Estado é meramente uma “ferramenta do povo”, algumas vezes chamado de “mal necessário”, que existe para servir aos interesses do povo e proteger o bem comum (e algumas formas de socialismo, como o socialismo libertário, rejeitam completamente o estado). Já o fascismo crê no Estado como um fim em si mesmo, e digno de obediência e subserviência por parte do povo.

O fascismo rejeita as doutrinas centrais do marxismo, que são a luta de classes e a necessidade de substituir o capitalismo por uma sociedade controlada pelo operariado, na qual os trabalhadores sejam proprietários dos meios de produção.

Um governo fascista é geralmente caracterizado como de “extrema direita” e um governo socialista, de “esquerda”. Mas teóricos como Hannah Arendt e Friedrich Hayek argumentam que existem diferenças apenas superficiais entre o fascismo e formas totalitárias de socialismo (veja Stalinismo); uma vez que os governos autoproclamados “socialistas” nem sempre mantiveram seu ideal de servir ao povo e respeitar os princípios democráticos. Muitos socialistas e comunistas rejeitam esses governos totalitários, encarados como uma forma de fascismo com máscara de socialismo. (Veja espectro político e modelo político para mais detalhes.)

Socialistas e outros críticos (não necessariamente de esquerda) sustentam que não há sobreposição ideológica entre fascismo e marxismo; acreditam que ambas as doutrinas são diametralmente opostas. Sendo o marxismo a base ideológica do comunismo, eles concluem que as comparações feitas por Arendt e outros são inválidas.

Mussolini rejeitou completamente o conceito marxista de luta de classes ou a tese Marxista de que o operariado deveria apropriar-se dos meios de produção. Em 1932 ele escreveu (na Doutrina do Fascismo, por via de Giovanni Gentile):

“Fora do Estado não pode haver nem indivíduos nem grupos (partidos políticos, associações, sindicatos, classes). Então o fascismo opõe-se ao Socialismo, que confina o fluxo da história à luta de classes e ignora a unidade de classes estabelecida em uma realidade económica e moral do Estado.”
59

A origem esquerdista do líder fascista italiano Mussolini, como um antigo líder da ala mais radical do partido socialista italiano, tem sido frequentemente notada. Após a sua viragem para a direita, Mussolini continuou a empregar muito da retórica do socialismo, substituindo a classe social pela nação como a base da lealdade política.

Também é frequentemente notado que a Itália fascista não nacionalizou quaisquer indústrias ou entidades capitalistas. Em vez disso, ela estabeleceu uma estructura corporativista influenciada pelo modelo de relações de classe avançado pela Igreja Católica. De facto, existe uma grande quantidade de literatura sobre a influência do Catolicismo no fascismo e nas ligações entre o clero e os partidos políticos na Europa antes e durante a Segunda Guerra Mundial.

Apesar de o fascismo italiano ter proclamado a sua antítese ao socialismo, a história pessoal de Mussolini no movimento socialista teve alguma influência sobre ele. Elementos da prática dos movimentos socialistas que ele reteve foram:

A necessidade de um partido de massas;
A importância de obter o apoio entre a classe trabalhadora
técnicas de disseminação de ideias tais como o uso de propaganda.
O Manifesto Fascista original continha um determinado número de propostas para reformas que também eram comuns entre os movimentos socialista e democráticos e eram desenhados para apelar à classe trabalhadora. Estas promessas foram geralmente ignoradas uma vez que os fascistas tomaram o poder.

Antonio Gramsci
Críticos apontam que os marxistas e os sindicalistas foram os primeiros alvos e as primeiras vítimas de Mussolini e de Adolf Hitler uma vez que eles chegaram ao poder. Eles também notam o antagonismo que resultou em lutas de rua entre fascistas e socialistas, incluindo:

a Batalha de Cable Street de 1936 em Londres entre Trotskistas e membros do Partido Comunista da Grã-Bretanha contra simpatizantes de Mosely
lutas de rua na Alemanha anteriormente à chegada ao poder de Hitler.
Mussolini também aprisionou Antonio Gramsci de 1926 a 1934, depois que este, que era líder do Partido Comunista Italiano e uma figura intelectual destacada, tentar criar uma fronte comum entre a esquerda política e os trabalhadores, por forma a resistir e derrotar o fascismo. Outros líderes comunistas italianos tais como Palmiro Togliatti foram para o exílio e lutaram pela república em Espanha.

Uma séria manifestação do conflito entre fascismo e socialismo foi a Guerra Civil Espanhola, com a Itália fascista e a Alemanha Nazi a apoiar as forças nacionalistas espanholas, que combatiam comunistas, socialistas e anarco-sindicalistas. Não obstante, a Alemanha Nazi aliava-se pouco depois à União Soviética na partilha da Polónia – Pacto Molotov-Ribbentrop.

Anticomunismo

Fascismo e comunismo são sistemas políticos que ascenderam à significância após a Primeira Guerra Mundial. Historiadores do período entre a primeira e a segunda guerra mundial tais como E.H. Carr e Eric Hobsbawm afirmaram que o liberalismo estava sob pressão séria neste período e que pareceu na altura uma filosofia condenada. O sucesso da Revolução Russa de 1917 resultou numa onda revolucionária por toda a Europa. O movimento socialista mundial dividiu-se entre as alas social democrata e leninista.

A subsequente formação da Terceira Internacional levantou sérios debates entre os partidos social-democratas, resultando no separatismo de apoiantes da Revolução Russa para formar partidos comunistas na maioria dos países industrializados (e não industrializados).

Nos finais da Primeira Guerra Mundial, houve tentativas de revoltas ou ameaças de revoltas por toda a Europa, notavelmente na Alemanha, onde a Revolta Espartaquista, liderada por Rosa Luxemburg e Karl Liebknecht em janeiro de 1919], (com poucos apoiantes) foi facilmente esmagada. Na Baviera, comunistas derrubaram o governo e estabeleceram o Soviete de Munique entre 1918 e 1919. Um curto governo soviético foi estabelecido na Hungria sob Béla Kun em 1919.

A revolução russa também inspirou movimentos revolucionários em Itália, com uma onda de ocupação de fábricas. Muitos historiadores vêem o fascismo como uma resposta a estes desenvolvimentos, como um movimento que ao mesmo tempo tentou apelar às massas e desviá-las do Marxismo. Também apelou aos capitalistas como uma barreira contra o Bolchevismo. O fascismo italiano tomou o poder com a bênção do rei de Itália após anos de intranquilidade esquerdista terem levado muitos conservadores a recear que uma revolução comunista era inevitável.

Através da Europa, numerosos aristocratas, intelectuais conservadores, capitalistas e industriais ofereceram apoio aos movimentos fascistas nos seus países, emulando o fascismo italiano. Na Alemanha, numerosos grupos de direita nacionalista surgiram, particularmente no pós-guerra os Freikorps, que foram usados para esmagar os espartaquistas e a Räterrepublik de Munique.

Com a Grande Depressão da década de 1930, parecia que o liberalismo e as formas liberais de capitalismo estavam condenadas, e os movimentos fascistas e comunistas incharam. Estes movimentos opunham-se ferozmente um ao outro e lutavam frequentemente, o exemplo mais notável foi a Guerra Civil Espanhola. Esta guerra tornou-se uma guerra por representantes (simpatizantes) entre países fascistas e seus apoiantes internacionais, que apoiaram Franco e o movimento comunista mundial aliado com certo atrito aos anarquistas e trotskistas, que apoiaram a Frente Popular e que foram ajudados sobretudo pela União Soviética.

Viatcheslav Molotov
Inicialmente, a União Soviética apoiou a coligação com potências ocidentais contra a Alemanha Nazi e frentes populares em vários países contra o fascismo doméstico. Esta política foi largamente mal sucedida devido à desconfiança mostrada pelas potências ocidentais (sobretudo pela Grã-Bretanha) face à União Soviética. O Acordo de Munique entre a Alemanha, França e Inglaterra contribuíram para o receio soviético de que as potências ocidentais estariam desejosas de força-la a lutar contra o Nazismo. A falta de ímpeto por parte dos britânicos durante as negociações diplomáticas com os soviéticos serviu para tornar a situação ainda pior. Os soviéticos mudaram a sua política e negociaram um pacto de não-agressão conhecido como o Pacto Molotov-Ribbentrop em 1939. Vyacheslav Molotov afirma nas suas memórias que os soviéticos acreditavam que isto era necessário para ganharem tempo e prepararem uma guerra esperada com a Alemanha.

Stalin não esperava que os Alemães atacassem antes de 1942, mas o pacto acabou em 1941 quando a Alemanha Nazi invadiu a União Soviética na Operação Barbarossa. Fascismo e comunismo tornaram-se inimigos de morte. A guerra, para ambos os campos, era vista como uma guerra de ideologias.

Fascismo e cristianismo

Um tópico controverso é o relacionamento entre os movimentos fascistas e o cristianismo, particularmente a Igreja Católica Romana.

Leão XIII, em 1898, autor da encíclica Rerum Novarum
Tem sido alegado por alguns autores [carece de fontes?] que a encíclica do Papa Leão XIII de 1891, Rerum Novarum antecipou a doutrina que se tornou conhecida como fascismo. Na referida encíclica, dizia-se no entanto em flagrante contradição com a doutrina fascista acerca do papel a desempenhar pelo Estado: “não é justo que o indivíduo ou a família sejam absorvidos pelo Estado, mas é justo, pelo contrário, que aquele e esta tenham a faculdade de proceder com liberdade, contando que não atentem contra o bem geral, e não prejudiquem ninguém.” e “O Governo é para os governados e não vice-versa”60

Alega-se [carece de fontes?] que as “tendências corporativas” da Rerum Novarum foram ressaltadas pela encíclica do Papa Pio XI em 25 de maio de 1931 Quadragesimo Anno que reafirmou a hostilidade de Rerum Novarum face à competição desordenada e à luta de classes. Uma vez mais, o papel do Estado era o de velar pelo bem comum e não o de reduzir os indivíduos ao Estado, como no fascismo.

A promulgação da encíclica Non abbiamo bisogno, em 29 de junho de 1931, Pio XI reitera de forma veemente a condenação dos erros do fascismo italiano, considerando-o já uma estatolatria, como se confirmou na definição que Mussolini fez da doutrina fascista em 1932.

O conflito entre o fascismo e a Igreja Católica, remonta ao início dos anos 1920 do século XX. O partido católico na Itália (Partito Popolare) estava então prestes a formar uma coligação com o partido reformador que poderia ter estabilizado a política italiana e frustrando o golpe projetado por Mussolini. A 2 de outubro de 1922, o Papa Pio XI fez circular uma carta ordenando ao clero que não se identificasse com o Partito Popolare, mas que ficasse neutro, uma ação que iria enfraquecer o partido e sua aliança contra Mussolini. No seguimento da ascensão de Mussolini ao poder, o secretário de estado do Vaticano encontrou-se com Il Duce no início de 1923 e concordou em dissolver o Partito Popolare, que Mussolini via como um obstáculo ao domínio fascista [carece de fontes?]. Em troca, os fascistas fizeram garantias quanto à educação e instituições católicas [carece de fontes?].

Em 1924, no seguimento do assassinato do líder do Partido Socialista por fascistas, o Partito Popolare juntou-se ao partido socialista na exigência de que o rei demitisse Mussolini como primeiro-ministro, e afirmou o desejo de formar um governo de coligação. Pio XI respondeu ao avisar contra os perigos de uma coligação entre católicos e socialistas. O Vaticano ordenou que todos os padres deixassem quaisquer posições que tivessem no “Partito Populare”, abandonando-o. Esta posição da Igreja levou à desintegração deste partido nas áreas rurais, onde o partido dependia da condescendência clerical.

O Vaticano estabeleceu subsequentemente a Ação Católica como uma organização não política sob o controlo direto dos bispos. A organização foi proibida pelo Vaticano de participar na política, ordenando a todos os católicos que se juntassem à Ação Católica. Isto resultou em centenas de milhares de católicos italianos terem deixado o Partito Popolare, aderindo ao à Ação Católica. Foi o colapso do partido católico – Partito Populare.61

Em 1927 Giovanni Gentile dera-se conta de uma séria antítese filosófica, deixando adivinhar um problema político de difícil resolução: era necessário resolver a contradição entre a concepção transcendente da Igreja Católica e o carácter imanente da concepção política do fascismo. O “caminho mostrava-se empinado” (palavra suas): a política eclesiástica do Estado fascista “devia resolver o problema de manter intacta e absoluta a sua soberanía face à Igreja”.62 Quando Mussolini ordenou o fecho da Ação Católica em Maio de 1931, Pio XI emitiu uma encíclica, Non abbiamo bisogno, na qual declarava a oposição da Igreja Católica à estatolatria de Mussolini, dizendo que aquela ordem tinha “desmascarado as intenções pagãs do Estado fascista”. Sob pressão internacional, Mussolini decidiu o compromisso com os católicos e a Ação Católica foi salva.

Tem sido também alegado [carece de fontes?], para além das semelhanças doutrinais, terá havido relações entre a Igreja católica e os movimentos fascistas de outros países. Por exemplo, na Eslováquia, o ditador fascista foi um monsenhor católico [carece de fontes?]. Na Croácia, os Ustaše fascistas ter-se-ão identificado a si mesmos como um “movimento católico”. Estes regimes têm sido vistos como exemplos de fascismo clerical [carece de fontes?].

No Brasil, o movimento TFP (Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade, organização católica fundada por Plínio Corrêa de Oliveira), reagiu fortemente contra os ideais e a prática dos fascistas.63 Em 1939, no primeiro número do ano do Legionário, Corrêa de Oliveira fez uma surpreendente previsão: “enquanto se vão delimitando todos os campos de batalha, vai-se desenvolvendo um processo cada vez mais claro: o da fusão doutrinária do nazismo com o comunismo. A nosso ver, o ano de 1939 assistirá à consumação desta fusão”.64 Em agosto de 1939 foi anunciado o pacto Molotov-Ribbentrop, no qual a URSS e a Alemanha nazista faziam a partilha da Polónia.

Fascismo e anti-catolicismo

Durante as décadas do fascismo, o anti-cristianismo não alcançou a mesma expressão pública obtida durante o nazismo.

Benito Mussolini não parece ter sido um grande entusiasta do paganismo, como Adolf Hitler[carece de fontes?]. Mussolini considerava-se no entanto um admirador do risorgimento italiano, onde pontificara por exemplo a obra, com assinalável componente pagã, de Giosuè Carducci.65

Na primeira fase do fascismo, Mussolini não hostilizou a Igreja Católica, tendo inclusive subscrito o Tratado de Latrão, através do qual se reconhecia estatuto político ao Estado do Vaticano, e formalmente a sua independência de ação dentro de Itália.

Mas muito mudou no início da década de 1930, com as medidas que Mussolini tomou contra a liberdade de ensino da Igreja, e a proibição da Ação Católica. É nessa altura que o papa Pio XI reage condenando os erros do fascismo com a Encíclica Non abbiamo bisogno.

Na luta entre o Estado Fascista e a Igreja Católica, desperta então a adormecida componente anticlerical do primeiro fascismo dos fasci di combattimento. Mussolini, ao definir a sua doutrina em 1932, paga já tributo intelectual aos anticlericais Giuseppe Mazzini e Ernest Renan.

E é pela mesma época que começa a ganhar importância a cultura pré-critã tradicional, acolhendo-se o pensamento do filósofo Julius Evola e do seu ramo Nietzschiano do fascismo, saturado de gnosticismo e de misteriosos e antigos cultos pagãos.66 Nos anos de 1930, Julius Evola torna-se cada vez mais influente no seio do regime fascista através dos seus amigos Bottai e Roberto Farinacci. Com o estabelecimento do Eixo Roma-Berlim, em 1937, o influxo do paganismo alemão activa ainda mais o paganismo italiano, em guerra aberta com a Igreja Católica.67 Evola, se bem que se considerasse um racista “espiritual” por oposição ao racismo “materialista” do Nazismo, estava no auge da sua influência no regime fascista quando se proclamaram as leis raciais de 1938.

No pós-guerra, Evola vai manter-se um filósofo ativo, vindo a ser um dos autores de referência do paganismo presente em alguns círculos neofascistas da atualidade.68 Os escritos de Alain de Benoist são outra das suas referências fundamentais.69

Prática do fascismo

Exemplos de sistemas fascistas incluem:

a Itália de Mussolini,
a Espanha sob o governo da Falange Española y de las Juntas de Ofensiva Nacional Sindicalista, partido de Francisco Franco
Portugal sob o regime de António Salazar
A prática do fascismo envolveu medidas políticas e econômicas, convidando a comparações diferentes. Como notado em outro lugar neste artigo, alguns escritores que focalizam suas análises nas medidas politicamente repressivas de fascismo identificam isto como uma forma de totalitarismo, uma descrição eles usam para não só caracterizar a Itália fascista, mas também países como a União Soviética, a República Popular da China ou a Coreia do Norte. Deve ser notado que o termo “totalitarismo” é muito amplo e inclui muitas ideologias diferentes, que são inimigas juradas umas das outras.

Alguns analistas, no entanto, mostram que certos governos fascistas eram mais autoritários que totalitários, como é o caso dos governos da Espanha de Francisco Franco e Portugal de Salazar.

Escritores que focalizam suas análises em políticas econômicas e no uso do aparato estatal para combater os conflitos entre as classes diferentes fazem comparações até mais amplas, identificando o fascismo como uma forma de corporativismo. O corporatismo era a face política da doutrina social católica do final do século XIX. Algumas comparações são feitas em relação ao corporativismo como certas partes do New Deal de Roosevelt nos Estados Unidos, e o populismo de Juan Domingo Perón na Argentina.

Bandeira da Ação Integralista Brasileira.
No Brasil, Plínio Salgado fundou em 7 de outubro de 1932 a Ação Integralista Brasileira, influenciado pelo fascismo italiano70 71 . Porém o integralismo diverge, em pontos fundamentais, do fascismo e, sobretudo, do nacional-socialismo. Com efeito, a posição oficial do fascismo histórico era no sentido de que o Estado é um fim, encarnando a ética e criando todo o direito72 , não aceitando, pois, a existência de direitos anteriores ao Estado, ao passo que o integralismo sempre proclamou que o Estado é um meio a serviço da pessoa humana e do bem comum73 , do mesmo modo que sempre afirmou a existência dos “Direitos Naturais do Ente Humano”, os quais antecedem o Estado, que, desta forma, não os cria, mas apenas reconhece74

Fascismo como um fenômeno internacional

É frequentemente uma matéria de disputa saber se um determinado governo poderá ser caracterizado como fascista, autoritário, totalitário, ou simplesmente um Estado policial. Regimes que se proclamaram como fascistas ou que são considerados como simpatizantes do fascismo, segundo alguns autores [carece de fontes?], incluem:

Europa

Áustria (1933-1938) – Austro-fascismo: Engelbert Dollfuß dissolveu o parlamento e estabeleceu uma ditadura clerical-fascista, com base no Partido Social Cristão, que durou até a Áustria ter sido incorporada na Alemanha através do Anschluss.. a ideia de Dollfuß de um “Ständestaat” foi tirada de Mussolini.
Espanha (1936-1975) – Após a prisão e execução em 1936 do seu fundador José Antonio Primo de Rivera durante a Guerra Civil Espanhola, o partido da Falange Espanhola foi liderado pelo Generalíssimo Francisco Franco, que se tornou conhecido como El Caudillo, líder indisputado do lado nacionalista na guerra civil, e, após a sua vitória, chefe de estado espanhol até à sua morte, mais de 35 anos depois.
Grécia – a ditadura de Joannis Metaxas entre 1936 e 1941 não era particularmente ideológica na sua natureza, e pode por isso ser caracterizada mais como autoritária do que fascista. O mesmo pode ser argumentado sobre a ditadura militar do Coronel George Papadopoulos entre 1967 e 1974, que foi apoiada pelos Estados Unidos.
Itália (1922-1943) – O primeiro país fascista, foi governado por Benito Mussolini (Il Duce) até que Mussolini foi capturado durante a invasão Aliada. Antes disso Mussolini tinha sido salvo da prisão domiciliária por tropas alemãs, montando de seguida um estado-fantoche (a República de Saló) no norte da Itália sob a protecção do exército alemão, e reorganizou o Partido Republicano Fascista, com outros que se mantiveram fiéis, como Alessandro Pavolini.
Portugal (1932-1974) – Menos restritivo que os regimes da Itália e Espanha, o Estado Novo de António de Oliveira Salazar era no entanto um regime filo-fascista, ou seja, um regime autoritário com inspiração fascista, reflectida no regime de Partido único (União Nacional) e no corporativismo de Estado. António de Oliveira Salazar não definia o regime do Estado Novo como totalitário, antes considerava o estado como limitado pela moral e pelo direito.
Roménia (1940-1944) – A Guarda de Ferro tomou o poder quando Ion Antonescu forçou o rei Carol II da Roménia a abdicar. O regime fascista acabou após a entrada das tropas soviéticas.
Ásia

Império do Japão – do início da década de 1930 até o final da Segunda Guerra Mundial o país foi governado por um regime político tido como fascista (ver: Fascismo japonês).
América do Sul

Getúlio Vargas, ditador do Brasil até o fim da Segunda Guerra Mundial.
Argentina (1946-1955 e 1973-1974) – Juan Perón admirava Mussolini e estabeleceu o seu próprio regime filo-fascista. Após a sua morte, a sua terceira esposa e então vice-presidente Isabelita Perón foi deposta por uma junta militar.
Brasil (1930-1945) – Getúlio Vargas estabeleceu um regime político centralizado autoritário, muito próximo ao fascismo, que se intitulava Estado Novo (Brasil).
O Brasil, entre outros países, viram florescer organizações nacionalistas ou filo-fascistas, como a AIB (Ação Integralista Brasileira), nos anos 1930.

Outras nações

Em outros países, como o Canadá, Reino Unido, Austrália, Estados Unidos, viram a organização de pequenos partidos fascistas ou nacional-socialistas, logo postos na ilegalidade com a eclosão da Segunda Guerra.

Conceito atual

Neofascismo

Ver também: Extrema-direita e Neofascismo
O fascismo em sua forma mais tradicional reapareceu nas décadas de 80 e 90 do século XX sob os nomes de fascismo e fr movimento Neonazista, que em suas forma mais marginais reproduz uma estética “retrô” e atitudes similares a violência juvenil. Como movimento político de presença institucional, surgiu na Itália após a Segunda Guerra Mundial, sob a forma do partido político Movimento Sociale Italiano (Movimento Social Italiano), que eventualmente buscaria uma forma mais acessível para o regime político democrático, sob o nome de Alleanza Nazionale e foi redefinido como pós-fascista, atingindo o governo Italiano (Gianfranco Fini, sob a presidência de Silvio Berlusconi, 1994).75 76

Desde o final do século XX aumentaram as chances eleitorais dos partidos que baseiam sua propostas políticas em distintas ofertas de dureza contra a imigração e a favor de uma manutenção da personalidade nacional.

Além da Itália, em várias democracias europeias coincide com a presença de extrema direita ou personalidades com um passado nazista ou fascista têm chegado a causar inclusive problemas internacionais: como o caso do escândalo da chegada de Kurt Waldheim para a presidência da Áustria (1996) ou a entrada no governo de Jörg Haider, do Freiheitliche Partei Österreichs (Partido Liberal de Austria, FPÖ), em 1999, neste mesmo país. Na Holanda, um caso semelhante ocorreu com Lijst Pim Fortuyn (Lista Pim Fortuyn, LPF) em 2002. Na França, a inesperada posibilidade de que Jean-Marie Le Pen (Front National, Frente Nacional) pudesse chegar a presidência da República, reuniu votos de todo o espectro político de esquerda e de direita contra ele nas Eleições presidenciais da França de 2002.77

Fascismo de esquerda

Ver também: Extrema-esquerda
O conceito, tal como utilizado originalmente por Jürgen Habermas, designava os movimentos terroristas de extrema esquerda dos anos sessenta.78 Na década de 80, seu uso foi estendido para descrever pejorativamente a qualquer ideologia esquerdista (especialmente nos EUA).79

Fundamentalismos religiosos

O aparecimento do fundamentalismo islâmico no cenário internacional depois da Revolução Iraniana (1979), sua extensão a outras repúblicas islâmicas e o terrorismo internacional, revelaram a possibilidade de um totalitarismo religioso que emprega técnicas violentas comparável ao fascismo, sendo assim, tais movimentos têm sido qualificados pejorativamente pelo termo “Islamofascismo”, embora tais movimentos ideológicos são muito distantes uns dos outros. Também é comum notar as semelhanças ao fascismo de movimentos chamado de fundamentalismo cristão, que em alguns casos têm vindo a chamar “cristofascismo”.80 81

Fascista como insulto

Após a derrota das Potências do Eixo na Segunda Guerra Mundial, o termo “fascista” tem sido usado como pejorativo,82 muitas vezes referindo-se a grande variação de movimentos em todo o espectro político.83 George Orwell escreveu em 1944 que “a palavra” fascismo “é quase inteiramente sem sentido… quase qualquer inglês aceitaria ‘valentão’ como sinônimo de ‘fascista'”.83 Richard Griffiths argumentou em 2005 que o “fascismo” é a “a palavra mais usada e mais mal usada dos nossos tempos”.27 “Fascista” é às vezes aplicado a organizações do pós-guerra e formas de pensar que os acadêmicos mais comumente definem como ” neofascista”.84

Ao contrário do uso comum do termo pelo mainstream acadêmico e popular, os estados comunistas têm sido por vezes referido como “fascistas”, tipicamente como um insulto. A interpretação marxista do termo, por exemplo, foram aplicadas em relação a Cuba sob Fidel Castro e Vietnã sob Ho Chi Minh.85 Herbert Matthews, do New York Times perguntou: “Será que devemos agora colocar a Rússia stalinista na mesma categoria da Alemanha hitlerista? Devemos dizer que ela é fascista?”86 J. Edgar Hoover escreveu extensivamente “fascismo vermelho”. 87 Os marxistas chineses usaram o termo para denunciar a União Soviética durante a cisão sino-soviética e, também, os soviéticos usaram o termo para identificar os marxistas chineses.88

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s